Uma vontade de viver os seus cabelos,
de respirar os seus olhos,
de perseguir a direcção dos seus movimentos...
Uma vontade de ser chama numa casa abandonada,
de ser água,
gota de água,
ao instante da sua lágrima,
ao instante da sua sede...
Uma vontade de ser o Mundo em poucas palavras...
Uma vontade de ser a vontade,
todas as vontades,
toda a força,
toda a garra de uma mulher reprimida,
de todas as mulheres reprimidas,
de todo o choro que finge riso...
Uma vontade de ser poesia na folha que desmaia Outono...
Uma vontade de ver no desejo uma acção,
de ver num sonho uma vida,
de ver numa noite toda a luz
que existe além da nossa realidade...
Fecho os olhos.
Pôr-do-sol.
Acorda o arco-íris,
todas as cores na sombra da sua mão,
na sombra da sua mão,
na sombra da sua mão...
poema de Mafalda Chambel
Uma Brisa de Poesia
sábado, 4 de setembro de 2010
Finge tão completamente, Julião Bernardes
"Os teus olhos lindos
Nos meus enleando
Não sei que cilada,
São sempre bem-vindos.
Vou-os adorando
Sem pedir mais nada.
São castanhos, puros
Como os da criança
Serão na origem:
Por vezes são escuros;
Dão-me confiança
Do sonho à vertigem.
Teus olhos castanhos
Inundam os meus
De luz, quando ris
Não me são estranhos:
Neles vejo Deus
E fico feliz.
Doce, o teu sorriso...
Nele me banhando
É minha guarida,
É meu paraíso.
Há-de ser meu quando
Houver outra vida."
poema de Julião Bernardes
Nos meus enleando
Não sei que cilada,
São sempre bem-vindos.
Vou-os adorando
Sem pedir mais nada.
São castanhos, puros
Como os da criança
Serão na origem:
Por vezes são escuros;
Dão-me confiança
Do sonho à vertigem.
Teus olhos castanhos
Inundam os meus
De luz, quando ris
Não me são estranhos:
Neles vejo Deus
E fico feliz.
Doce, o teu sorriso...
Nele me banhando
É minha guarida,
É meu paraíso.
Há-de ser meu quando
Houver outra vida."
poema de Julião Bernardes
Aragens, Alice Fergo
"Escrevo-te na noz de areia que sobrou da espuma, com frases curtas para caberem na praia. Vento altivo. Sal nas avencas migradas do mar. Na plumagem das ondas, o manto rápido da caligrafia. Não peso as palavras, sinto a clepsidra num borbotão de ar e respiro fundo. Oiço o frio."
poema de Alice Fergo
poema de Alice Fergo
Se envellecemos xuntos, Xulio Valcárcel
"Se ascendo à tua origem
e me transporto pelos anos
sou menino contigo em manhãs azuis
de baloiços e sinos,
não largo a tua saia
e desperto ao amor
um amanhecer pleno de enlevos.
Mas se envelhecemos juntos,
se percorremos o caminho da vida
passo a passo,
fitarei em teus olhos
o decorrer do tempo
vagaroso como um barco.
Se envelhecemos juntos
e desfaço a meada de meus dias
a teu lado,
serei o confidente
de teu caminho sem pegadas,
de teu canto e de tua alma.
Partilharei o sal, o leito
e o abraço,
saberei obscuramente que a nossa passagem
pelo mundo não é em vão.
Confundidos num único latejar
compassado,
seremos dois ribeiros fluindo
em uma mesma água,
dois fogos consumindo-se
numa única chama,
duas ondas calando o seu fragor
na areia final,
última praia.
Nos vaivéns da fortuna
ou do destino,
tu serás a certeza.
Se envelhecemos juntos,
se te acompanho neste trajecto,
soltarei borboletas leves
em tuas pálpebras cansadas,
escutarei o repicar da chuva
nas vidraças da infância,
sentirei tua voz
a esmorecer em calma.
Para tudo entender bastar-me-á
o límpido olhar da tua luz sem ânsia."
traduzido por Julião Bernardes
poema de Xulio Valcárcel
e me transporto pelos anos
sou menino contigo em manhãs azuis
de baloiços e sinos,
não largo a tua saia
e desperto ao amor
um amanhecer pleno de enlevos.
Mas se envelhecemos juntos,
se percorremos o caminho da vida
passo a passo,
fitarei em teus olhos
o decorrer do tempo
vagaroso como um barco.
Se envelhecemos juntos
e desfaço a meada de meus dias
a teu lado,
serei o confidente
de teu caminho sem pegadas,
de teu canto e de tua alma.
Partilharei o sal, o leito
e o abraço,
saberei obscuramente que a nossa passagem
pelo mundo não é em vão.
Confundidos num único latejar
compassado,
seremos dois ribeiros fluindo
em uma mesma água,
dois fogos consumindo-se
numa única chama,
duas ondas calando o seu fragor
na areia final,
última praia.
Nos vaivéns da fortuna
ou do destino,
tu serás a certeza.
Se envelhecemos juntos,
se te acompanho neste trajecto,
soltarei borboletas leves
em tuas pálpebras cansadas,
escutarei o repicar da chuva
nas vidraças da infância,
sentirei tua voz
a esmorecer em calma.
Para tudo entender bastar-me-á
o límpido olhar da tua luz sem ânsia."
traduzido por Julião Bernardes
poema de Xulio Valcárcel
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